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EXPOENTES E “PROMESSAS” CONSOLIDAM A HISTÓRIA DOS 25 ANOS DA FTMT

KARINA CABRAL - 05/06/2018

Em 2018, a Federação de Tiro Esportivo de Mato Grosso completa 25 anos. A evolução do esporte é notória e cada atirador, coleciona memórias que conferem grande vulto à história do esporte no Estado.

LIVRE conheceu um dos expoentes e primeiro atirador esportivo de Mato Grosso, José Ângelo Carloto, 65 anos, além da grande promessa, Guilherme Albuquerque, 14 anos. É por meio do testemunho da vivência dos dois – permeado por pura paixão, dedicação e muito treinamento que incursionamos por esta história.

Era 1991 quando José Ângelo Carloto deu seus primeiros tiros, no Clube Sentinelas do Araguaia – instalado dentro do 58º Batalhão de Infantaria de Barra do Garças. Ele ficou sabendo que o major Trajano, presidente do clube, dava cursos de tiro e resolveu participar.

“Eu gostei, iniciei atirar. Só que o tiro lá era diferente do que nós praticamos hoje, lá era um tiro olímpico, tiro de precisão como é chamado. Foi só em 1993 que fui apresentado para o tiro prático, a que me dedico até hoje”, lembrou Carloto. O atirador nasceu no Rio Grande do Sul, mas veio para Mato Grosso em 1972, para estudar. Cursou engenharia civil, na Universidade Federal de Mato Grosso, e hoje, já está aposentado.

Há 27 anos praticando o esporte, Carloto acompanhou e participou de toda evolução do tiro em Mato Grosso, desde quando ainda não havia a federação, somente os clubes, aos quais ele chama de “base do esporte”.

Segundo ele, a federação só foi criada em 1993. À época, haviam três clubes em atividade, legalizados e em pleno funcionamento: o Clube de Tiro Sentinelas do Araguaia, de Barra do Garças, o Clube de Tiro São José do Rio Claro, da cidade a qual leva o nome, e o Clube de Tiro Cuiabá, da Capital.

Além deles, também existiam clubes em formação, como o de Rondonópolis, o Siriema, de Lucas do Rio Verde e uma associação da Caixa Econômica Federal. Todos esses clubes se uniram e criaram o órgão, que, inicialmente, se chamava Federação de Tiro Prático de Mato Grosso.

Documentação

Atualmente, o Estado já possui 14 clubes constituídos. Para se tornar membro da Federação, o clube precisa apresentar uma série de documentos: a ata de fundação, a eleição de diretoria, certificado de registro junto ao exército, e, se o clube tiver um stand, precisa ter o alvará de funcionamento.

“Nesse esporte tudo que nós fazemos é legal, tudo está previsto em lei, tanto que nós nunca tivemos problema com nada perante a justiça e o exército – que cuida dessa parte de tiro”, disse Carloto.

O atirador esportivo também precisa de alguns documentos. Ao se tornar sócio de um clube federado, ele se filia na federação também e, automaticamente, à Confederação Brasileira de Tiro Prático. E, para conseguir essa filiação, ele precisa ter a autorização do exército para atirar, curso de tiro e passar por um exame psicotécnico.

“Para praticar o tiro ele tem que ter uma arma cuja compra precisar ser autorizada pelo exército, ele tem que ter o certificado de registro (CR) e uma guia de tráfego dessa arma, aí ele está legal para praticar o tiro dele”, afirmou Carloto.

Campeonatos

O tiro esportivo possui um calendário esportivo, que é cumprido à risca pelos membros da federação. O primeiro campeonato aconteceu em 1993, quando foi lançada a federação. À época tinha em sua diretoria, Lourenço Hayshida, como presidente e José Ângelo Carloto, como vice.

Depois, Carloto se tornou presidente, seguido pelo coronel César Gomes, de Cuiabá, por Márcio Pólis, de Campo Verde. Atualmente a função é do cabo Rafael, da Polícia Militar.

No primeiro campeonato eles contavam com cerca de 15 atletas e chegaram a ter etapas com apenas oito atiradores, mas jamais deixaram de realizar uma etapa do calendário.

“Para você ter uma ideia de como levamos a sério esse negócio das etapas. Hoje nós temos os Range Officer, os juízes da prova, cada prova tem um juiz. Naquele tempo, em que tudo era difícil, nós mesmo éramos os juízes. Às vezes atrasava, ‘o cara não chegou ainda’, a gente esperava chegar. Teve vez de nós terminarmos a prova a noite, como não tinha iluminação, a gente acendia a luz dos carros e terminava com as luzes dos carros, era nosso refletor”, lembrou Carloto.

O engenheiro civil aposentado nunca deixou de participar de nenhum dos 26 campeonatos realizados pela federação em Mato Grosso e segue competindo até hoje, já tendo sido campeão em Mato Grosso por 12 vezes, além de campeão brasileiro na categoria Sênior (atiradores de 50 a 60 anos) e na Super Sênior (de 60 para frente).

Carloto ressalta que não há especificamente uma idade mínima para começar a atirar – nem uma máxima. Mas, para praticar o esporte quando menor de idade, o adolescente precisa de uma autorização judicial. Além disso, os pais precisam sempre acompanhar o menor, visto que somente um maior de idade tem autorização para realizar o transporte da arma até o local de treino, ou prova.

Evolução do esporte

Durante os 25 anos da federação, o esporte cresceu em número de praticantes, em qualidade e se tornou muito mais “profissional”. Hoje, por exemplo, tudo está informatizado, inclusive os resultados das competições são feitos automaticamente, mas não foi sempre assim.

“Naquele tempo era tudo manual. A gente ia anotando os resultados de cada pista, acabava o campeonato e a gente ia para um bar, sentava lá toda turma e todo mundo ia trabalhar, fazer as contas. E lá mesmo você já sabia que era campeão”, contou Carloto.

Ele sonha que a Federação continue a crescer de forma organizada, prezando pela legalidade do esporte e, acima de tudo, pela segurança dos atiradores.

“O item mais importante no tiro é a segurança do atirador. Quando ele vem no campeonato não pode correr risco, porque nós sabemos o que significa um acidente com arma. Então nós temos consciência disso e fazemos de tudo para não correr risco”, disse o engenheiro aposentado.

Durante os 27 anos em que pratica o esporte, Carloto jamais viu nenhum acidente, nem em Mato Grosso, nem em nenhum campeonato do Brasil.

“Muita gente tem medo de arma porque não a conhece, tem medo de acidente porque não sabe usá-la. Quem sabe usar a arma não comete acidente. O tiro é um dos esportes mais seguros que tem, porque nós fizemos que ele seja seguro. Tem risco? Tem, porque nós estamos com a arma de fogo na mão, mas na mão de um atirador praticamente não tem risco, nós sabemos do perigo, então nós respeitamos o perigo do tiro para não acontecer acidentes”, disse Carloto.

Para ele, o atirador até pode nascer com o dom para o esporte, que fará com que ele tenha mais facilidade para “pegar o jeito”, mas nada elimina a obrigatoriedade do treinamento. “O dom do tiro pode ser construído com treinamento, quem não treina, não tem resultado”, afirmou.

Esta também é a opinião de Guilherme Albuquerque, 14 anos, um dos nomes que desponta em Mato Grosso na atualidade. “Treinamento, foco e dedicação é o que mais importa. Sem o treinamento adequado de nada adianta o dom. Precisa ser determinado, focado”, disse Guilherme.

E olha que o adolescente, sem dúvida, nasceu com o dom para o tiro. Vindo de uma família onde todos atiram – pai, mãe, irmão e avô -, Guilherme já pratica o esporte há um ano e meio.

Desde pequeno ia com o pai para o clube de tiro e ficava encantado com as armas e a precisão dos atiradores. Ele sempre teve brinquedos que remetiam ao esporte, como nurf e air soft. E aos 12 anos se inscreveu em um curso básico, começou a atirar e não parou mais.

Desde que começou a participar, Guilherme tem se destacado no meio. Já participou de mais de 20 etapas e, em 2017, foi vice-campeão do ano na categoria ISPC, conquistou o terceiro lugar no Steel Challenge e o 1º no Saque Rápido.

Em 2018 já conquistou o terceiro lugar no overall – campeão dos campeões – do brasileiro, na divisão Light. E no último mês, ficou em segundo lugar no overall Ligth e primeiro lugar na divisão júnior. Visto como um jovem prodígio, Guilherme sonha grande.

“Quero ir para o mundial, que vai ter em 2020 na Tailândia. Quero conseguir uma boa colocação do ano no brasileiro, uma boa colocação no estadual. E estou indo para o pan-americano em julho e quero ficar entre os cinco na Júnior lá”, disse o adolescente sonhador.

Para isso, ele treina intensamente duas vezes por semana, disparando em média 500 tiros por semana, uma média de 2 mil tiros por mês. Segunda ele, sua rápida evolução se deu pelo fato de, desde o começo, receber boas orientações e treinar muito.

Um dos poucos adolescentes que praticam o tiro esportivo no Estado, o esporte significa muito para a vida do pequeno atirador, que acabou criando laços fortes de amizade com os adultos, um deles, Carloto, que acredita fielmente no potencial de Guilherme e quer poder auxiliá-lo por muito tempo.

“Quero continuar atirando e ajudando os meninos novos, ser um exemplo de persistência, cobrando segurança e treino. Quero atirar enquanto tiver condições, peço sempre que Deus me dê saúde para manter a prática, porque eu acho que o tiro ajuda a me manter sadio”, disse Carloto.